Abertas as inscrições para o Prêmio Off Flip

0Estão abertas até 28 de março as inscrições para o Prêmio Off Flip de Literatura, que nesta edição firmou parceria com a plataforma Bibliomundi. O prêmio é uma realização do Selo Off Flip, tem uma tradição de 10 anos e é reconhecido nacional e internacionalmente. Os vencedores nas categorias Conto, Poesia e Literatura Infantojuvenil vão receber R$ 30 mil no total, além de estadia durante a Festa Literária Internacional de Paraty, passeio de escuna e cota de livros. O sarau de premiação será no Centro Cultural Sesc Paraty no dia 2 de julho. Os contos e poemas selecionados serão publicados em coletânea e os autores das obras vencedoras no gênero infantojuvenil firmarão contrato de edição com o Selo Off Flip. As inscrições serão feitas somente pela internet, no site http://www.premio-offflip.net/

Três perguntas para Ivan Sant’Anna

Ivan Fotos 008Após publicar três livros sobre tragédias aéreas — Caixa-preta, Plano de ataque e Perda total —, Ivan Sant’Anna decidiu escrever sobre o mais célebre naufrágio ocorrido no Rio de Janeiro, o do Bateau Mouche IV, no réveillon de 1988, que matou 55 pessoas. O número de mortos só não foi maior porque duas embarcações conseguiram resgatar quase uma centena de náufragos. O livro Bateau Mouche – Uma tragédia brasileira (Objetiva) reconstitui de forma brilhante os fatores que levaram à tragédia e conta os dramas de vários personagens. Aqui, Ivan fala um pouco sobre o livro.

SM – Depois de escrever três livros sobre acidentes envolvendo aviões, que são uma paixão sua, por que optou pelo naufrágio do Bateau Mouche?

IS – Porque foi uma tragédia que marcou muito o Brasil na época, tal como acontece com os desastres aéreos.

Capa Bateau MoucheSM – O que mais te impressionou durante as investigações feitas para o livro?

IS – A precariedade das instalações e da estrutura do Bateau Mouche IV, um barco concebido inicialmente para transportar 20 pessoas e que, após uma reforma, teve a lotação aumentada para 153 ocupantes pela Capitania dos Portos do Rio de Janeiro

SM – Aprendemos alguma coisa com tragédias como essas?

IS – Aprendemos muito. Após o naufrágio do Bateau Mouche IV o rigor na fiscalização de embarcações no Sudeste e no Sul aumentou muito. Infelizmente isso não acontece na Amazônia.

Para descobrir Clarice e discutir jornalismo cultural

Manya fotoComemorando 20 anos de atividades, a Estação das Letras, no Rio de Janeiro, vem fazendo recentemente alguns cursos em parceria com a Livraria da Travessa. Dois que serão ministrados na loja do Leblon estão com inscrições abertas para começar depois do carnaval. O destaque fica por conta dos professores, dois nomes que fizeram parte da linha de frente do caderno Prosa, do jornal O Globo, que foi extinto e incorporado ao Segundo Caderno. Ex-editora do suplemento, a jornalista Mànya Millen vai ministrar Jornalismo Cultural, esmiuçando sobre o conceito, os caminhos e diferenças entre a reportagem e a crítica, até onde ele vai e abordar as mudanças no jornalismo e nos cadernos culturais.

José Castello foto 2O escritor e crítico literário José Castello, ex-colunista do Prosa, parte do livro A descoberta do mundo (Rocco), de Clarice Lispector, no curso Clarice: Uma Aprendizagem. Por meio da leitura e do debate de alguns textos breves da escritora, os alunos vão refazer seu próprio percurso, escrevendo (lendo) para ir além da escrita (da leitura). A ideia é usar os relatos de Clarice para ajudar a expandir a visão do mundo. As inscrições estão abertas no site www.estacaodasletras.com.br e pelo telefone (21) 3237-3947.

Destaque infantojuvenil

Tres_Cavalos_capa_700pxO livro Três cavalos encantados, dois irmãos ciumentos e um rapaz corajoso (Zit) reconta o conto popular de Antônio Gastão, pescador de Cabo Frio, balneário na Região dos Lagos fluminense, exímio inventor de histórias. A escritora Ana Cretton, do grupo Confabulando Contadores de Histórias, ouviu o causo e depois variantes na voz de uma senhora de Juiz de Fora e no livro Contos populares brasileiros. Após muita contação pelo país, ela resolveu criar a versão que chega agora nesta bela edição, ilustrada por André Côrtes. O protagonista é Pedro, o rapaz corajoso do título, que precisa driblar a inveja e o ciúme dos próprios irmãos para salvar o pai. Encantamento que vai fazer sucesso com crianças a partir dos sete anos de idade.

Bienal de Minas anuncia novidades

logo2Marcada para 15 a 24 de abril, a quinta edição da Bienal do Livro de Minas terá uma programação com novas atividades para todos os públicos. Além de manter atrações consagradas como o Café Literário, a edição de 2016 promete transformar Belo Horizonte na capital nacional da literatura. Com previsão 160 expositores e público esperado de 260 mil pessoas, repetindo a edição anterior a Bienal será realizada no Expominas (Avenida Amazonas, 6.030 – Bairro Gameleira) e terá o slogan “Bienal do Livro de Minas 2016: muitas histórias para contar”. O evento também comemora os 45 anos da Câmara Mineira do Livro (CML), parceira da Fagga | GL events Exhibitions na realização. Entre as novidades desta edição, está a curadoria do Café Literário, a cargo do escritor, jornalista e editor Rogério Pereira, fundador e editor do jornal literário Rascunho e diretor da Biblioteca Pública do Paraná. “A Bienal de Minas será um reflexo contundente da riqueza literária e cultural brasileira”, diz ele. A programação cultural terá ainda um Fórum de Educação, a Bienal Geek (focada em HQ e livros geek, como ficção científica, sagas e fantasia) e o Quintal de Histórias, atividade para o público infantil, que vai homenagear o escritor e poeta Manoel de Barros. Seguindo o sucesso da literatura para adolescentes, conhecida no mercado como young adult, que vem angariando um número expressivo de jovens leitores e impulsionando lançamentos de novos autores e livros, o Conexão Jovem retorna à grade da Bienal, com número de sessões ampliado.

 

Universidade na Galícia sedia colóquio sobre literatura brasileira

f94173_0199f451973a492aa36af124efc7b0c5A Universidade de Santiago de Compostela, na Galícia, sedia, entre os dias 25 e 27 de janeiro, o VI Colóquio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea, com o tema “O local, o nacional, o internacional”. O colóquio é resultado dos diálogos já estabelecidos entre o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea e especialistas da área de diferentes universidades europeias, do Brasil, dos Estados Unidos e da Argentina, e marca a consolidação da cooperação entre essas instituições. Outras informações em http://brasilnausc.wix.com/vicoloquiolitbracon

Os livros da vida de Rafael Gallo

Rafael Gallo 06 - BaixaFormado em Música (Composição e Regência) pela Unesp, o escritor paulista Rafael Gallo foi revelado no Prêmio Sesc de Literatura, com o livro de contos Réveillon e outros dias (Record), vencedor em 2011. No ano passado, lançou seu primeiro romance, Rebentar (Record), a história dolorosa e comovente de uma mãe que perdeu o filho de cinco anos em uma galeria de lojas e, 30 anos depois, desiste de procurá-lo e tenta refazer sua vida. Aqui, ele fala sobre os livros que marcaram sua trajetória.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

RG – Eu gostava muito de desenhos quando era criança, eu mesmo desenhava bastante. Então, a maioria dos livros que me recordo de minhas primeiras leituras é mais por conta de suas ilustrações do que pelas histórias em si. Acho que minha memória mais “ancestral” é o livro Bichos, bicho!, escrito pela Ciça, com ilustrações do Ziraldo. Falava de vários animais, em versos, e lembro-me de uma página em que aparecia uma vaca muito magra, prestes a morrer, e um urubu perto dela dizia que estava só “urubusservando”. Até hoje sorrio com essa expressão.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

RG – Vários marcaram, por diferentes razões. Mas vou citar dois: Libertinagem, do Manuel Bandeira, e A hora da estrela, da Clarice Lispector, que foram os que realmente me fisgaram para a literatura, para tudo o que ela seria na minha vida.

SM – O que você está lendo agora?

RG – A ignorância, do Milan Kundera. Ele é um dos meus autores preferidos, um escritor muito inteligente, sagaz. Eu adoro como ele conduz personagens diversos e examina os vários lados de suas emoções e pensamentos, especialmente as contradições. Além do mais, ele articula esses traços particulares com as contingências históricas de seu país de origem, bastante conturbadas. Política, erotismo, intelecto, poder: tudo se mistura de maneira muito elegante e potente.

Fotobiografia relembra vida e obra de Marília Pêra

1e202863-e44d-43b6-88cb-64839c439a99A fotobiografia Marília Soares Marzullo Pêra (Arte Ensaio) faz uma retrospectiva da vida e da obra da atriz, cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa Marília Pêra, que morreu em dezembro de 2015. O livro de mais de 300 páginas, escrito pela própria Marília, em seu último ano de vida, e por sua irmã Sandra Pêra, passeia por todas as fases da vida da artista, mostra suas origens em fotos da família Marzullo Pêra e coloca em foco seus principais momentos pessoais e profissionais. A organização da obra é da escritora Nélida Piñon, integrante da Academia Brasileira da Letras. O livro será lançado na próxima segunda-feira, com autógrafos de Nélida e Sandra, na Livraria Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, a partir das 19h.

Ana C., por Italo Moriconi

urlNa próxima quinta-feira, às 17h, o professor Italo Moriconi faz conferência no Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional (Rua México s/n – Centro – Rio de Janeiro) sobre a poeta Ana Cristina Cesar. Autora de A teus pés, ela é a homenageada deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty. A palestra faz parte da série Construtores da Literatura Carioca nos 450 anos do Rio, parceira da FBN com a Academia Carioca de Letras, que celebra os principais autores que ajudaram a conferir à literatura o caráter carioca desde o nascimento da cidade, em 1565, até os dias atuais. O ciclo começou no dia 3 de setembro do ano passado e termina no dia 28 de janeiro, com Angela Maria Dias e Sergio Fonta falando sobre Nelson Rodrigues. A entrada é franca.

Três perguntas para Margarida Patriota

margarida (1)Escritora, tradutora e professora, Margarida Patriota acaba de lançar dois livros: o romance juvenil U´Yara, rainha amazona (Saraiva) e Autores e livros na Rádio Senado (Senado Federal), que reúne entrevistas realizadas por ela em seu programa, no ar há 18 anos, na Rádio Senado Federal. Em março, chega às livrarias uma nova tradução do romance de Henry James Washington Square (7 Letras), assinada por por ela. Margarida foi professora de Teoria da Literatura e de Literatura Francesa na UNB durante 28 anos.

Capa U´YaraSM – O romance juvenil U’Yara, rainha amazona pode ser considerado uma fábula feminista?

MP – Sim, de maneira indireta, pois ao retratar uma comunidade onde as mulheres mandam e desmandam nos homens, de maneira discriminatória, eu satirizo o machismo e o patriarcalismo que durante séculos legitimou (e legitima ainda em certos rincões do Planeta) a opressão da mulher e a usurpação de seus direitos civis, como o direito à educação, ao voto, à participação política. Frise-se que a heroína da minha história almeja implantar na tribo a igualdade de direitos para ambos os sexos, e não a supremacia de um grupo sobre outro. 

Capa Autores e Ideias em BAIXASM – Você acaba de lançar um volume que reúne entrevistas realizadas com escritores brasileiros em seu programa Autores e Livros. De que forma essas conversas influenciam sua literatura?

MP – Sempre aprendo com os autores que entrevisto, sejam eles grandes ou pequenos, conhecidos ou desconhecidos. A incumbência de entrevistar autores brasileiros me obriga a me manter atualizada com o que se publica no país em matéria de poesia, contos, crônicas, ensaios e romances, principalmente. Ao conversar com escritores de origens e regiões diferentes, ganho informações, conhecimentos, lições de persistência e estímulos que acredito enriqueçam minha produção literária.

SM – Com 28 livros publicados, ainda vem uma nova tradução de Henry James. Como é a sua rotina de trabalho?

MP – No café da manhã passo os olhos no jornal Correio Braziliense e me ponho diante do computador de 8h30 às 12h30, uma e outra interrupção telefônica ou de natureza doméstica me tirando do assento de vez em quando. Trabalho à tarde em meus escritos das 14h às 17h, quando não tenho de ir à Rádio Senado gravar entrevistas. À noite, assisto ao noticiário e leio. Sábados e domingos escrevo duas, três horas, de manhã, e leio de tarde outro tanto. Para não entrevar antes da hora, encaixo nessa agenda uma hidroginástica duas vezes por semana, bem como uma aula semanal de espanhol e outra de tênis.